Resenha: A Playlist de Hayden – Michelle Falkoff

Por Fephs Lima

SINOPSE:

Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola, o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente. Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava.

A sinopse de “A Playlist de Hayden” me remeteu ao livro “Os 13 Porquês”. Ambas incluem personagens que se suicidaram e deixaram modos de explicar o que aconteceu para que eles tomassem tal decisão. Nunca li “Os 13 Porquês”, porém, o que eu ouvi já foi o bastante para que eu fizesse essa breve comparação.

Hayden é um garoto de aparência fora dos padrões masculinos que são vistos na televisão em campanhas publicitária. Ele é baixo e gordinho. Além disso, seu gosto por quadrinhos, rock de letras mais depressivas e jogos de videogame o definem como um verdadeiro geek. Ele foi encontrado morto pelo seu único amigo Sam, a única pessoa com quem tinha um gosto parecido. Mesmo que discordassem em muita coisa, eram parceiros.

“Toda a raiva que eu sentia, o  desejo de encontrar algum responsável por tudo e bater nele com toda a força que eu tinha, tudo isso fervia dentro de mim”

Como forma de entender o que aconteceu com seu amigo para que ele se matasse, Sam transferiu a playlist deixada por Hayden para seu Ipod. Por mais que ele se esforçasse, a playlist não lhe auxilia tanto quanto ele espera. Lógico que ele sabia que, o fato de ele sofrer bullying de um trio de amigos, sendo um deles irmão de Hayden, ajudou muito para que ele tomasse a decisão de se matar.

Mas além disso, Sam se sente culpado, já que a morte ocorre após uma discussão entre os dois, depois de saírem de uma festa da qual Hayden insistira tanto em ir. Sam achou estranho o fato de ele querer ir à festa, já que Hayden não faz esse perfil, ele é mais um garoto que fica trancado no quarto jogando videogame.

No dia de seu funeral, revoltado com toda aquela hipocrisia nos discursos, Sam decide ir à loja de quadrinho preferida deles. Lá, ele conhece Astrid, uma garota que estava presente no funeral também e que, de modo misterioso, era amiga de Hayden. Sam tem muitos mistérios em sua mão: De onde Hayden conheceu Astrid? O que fez com que Hayden tivesse tanta vontade de ir à festa? Por que Hayden se matou?

“Esse é o ponto. Tem um monte de coisas que você não sabe. Mas eu quero que você conheça todas elas”

Além disso, estranhos ataques estão acontecendo entre os integrantes da trinfeta do bullying, como eles chamavam o grupo que pegava no pé deles. Sam é o principal suspeito e nem mesmo ele tem certeza se foi capaz de praticar os ataques.

Bom, eu tenho esse livro há dois anos parado em minha estante e, após a minha leitura eu pensei: “Por que eu não tinha lido esse livro antes?”. O livro me cativou de tal forma que surpreendeu até mesmo à mim. Esperava alguns tipos de clichês inserido no livro, mas ele veio para quebrar isso. Lógico, a teoria do final feliz está presente nesse livro e isso me alivia. A leitura é mega fluida. Durante toda a semana, por conta de tempo, li somente 12/27 capítulos, mesmo que em alguns momentos eu pensasse no quanto eu queria ler mais. Mas em somente um dia do fim de semana, terminei o livro de forma natural e nada arrastada. Seu trabalho de detalhes é bem equilibrado. Não falta e nem sobra, há o que é necessário para montar mentalmente todas as cenas.

Confesso que eu esperava que as respostas do livro viesse diretamente da playlist, já que por meio do título, o foco seria a própria playlist, porém não é esse o papel das músicas. Durante toda a obra, o seu papel foi a quebra de silêncio e inclusão de vida social. Não me decepciona, mas mais uma vez me surpreende. O fim do livro me deu uma mistura de emoções, mas principalmente tristeza em dobro, parte pelo término do livro por qual eu consegui me apaixonar e parte pela emoção que ele me transmitiu ao finalizar a obra. Sam foi um personagem bem construído, que serve de representação para muitos. Além disso, o livro une as tribos por meio de suas referências, além das músicas, bandas, séries, quadrinhos, escritores são citados, nos fazendo sentir íntimos da obra.

“A playlist de Hayden fez com que eu me sentisse conectado com ele e também fez com que eu me abrisse para um monte de coisas que não ouvia antes”

Michelle Falkoff conseguiu transmitir muitas ideias. Por mais que a primeiro momento o foco seja a morte de Hayden, ela trata sobre o bullying, sobre tribos sociais, sobre arte e cultura, sobre homofobia, sobre amores adolescentes, entre outros assuntos que fazem parte do nosso cotidiano, assuntos que vemos presente em mídias e redes sociais.

Em suma, esse livro vai voltar para a estante, tomar de volta seu lugar, mas além disso, assumir lugar no meu coração.

 

12xp-catperson-master768-v2  A Playlist de Hayden – Michelle Falkoff
 Editora Novo Conceito
Lançamento: 2015
Páginas: 283

Nota: 4,5/5

Preço mínimo: 23,80 (Saraiva)

Foto: Fephs Lima

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