Resenha: 1984, de George Orwell – Por Jack Santos

Por Jack Santos

Sinopse

Winston, herói de ‘1984’, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que ‘só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade – só o poder pelo poder, poder puro.’

Confesso que li esse livro com um pé atrás, por ser a primeira distopia que leria até então, principalmente por ser clássica, visto que não tinha tanta experiência com livros dessa importância. Porém, me surpreendeu de forma positiva, transformando meu modo de pensar e refletir sobre a trama que continua presente no nosso cotidiano, tornando um dos meus gêneros favoritos.

1984 de George Orwell é uma distopia clássica publicada em 1949, após a segunda guerra mundial. Na época de sua publicação, ainda existia uma forte lembrança e cicatrizes que a guerra deixou, e o romance foi escrito exatamente nesta circunstância.

Governada por um partido extremamente totalitário, a cidade imaginada pelo autor num futuro, que seria em 1984 e que um dia foi chamada de Londres, localizada no superestado Eurásia, tem como líder político e figura central o Grande Irmão (Big Brother). Um líder que não sabemos que existe, mas que é apresentado para a população como praticamente uma divindade, onde todos devem somente adorá-lo e servi-lo. Esse partido vigia a cidade durante todo o tempo, com teletelas (câmeras) instaladas pelas ruas e dentro das casas, tirando a privacidade e liberdade de expressão das pessoas.

Mas não pensem que para a maioria dos cidadãos, essa vigilância e esse totalitarismo é algo cruel e apavorante. O governo tem um poder imenso de manipulação, alterando o passado e arrumando formas de alterar a memória das pessoas, fazendo com que acreditem e concordem com a ordem do governo. Entretanto, não conseguiram manipular a mente de Winston Smith, até então.

Protagonista da trama, Winston trabalha no Ministério da Verdade, que ironicamente seu trabalho é ocultar a verdade e alterar notícias de dados estatísticos, revistas e jornais, fazendo com que a verdade esteja de acordo com as diretrizes do governo atual, apagando assim, o passado e a lembrança dos cidadãos.

Smith vive uma vida deprimente e tem a sensação de que algo está errado no modo como o governo age. Ele ainda tem lembranças do passado, mas tem dúvidas se ele tem a razão, de modo que apenas ele tem esse pensamento contraditório, enquanto a maioria é a favor e manipulada pelo governo tirânico. Mas ao longo das páginas conseguimos ver a rebelião crescendo de Winston, e isso se concretiza quando ele conhece Júlia, por quem acaba se apaixonando.

Mas é uma paixão secreta, tendo em vista que o Partido proíbe alguém amar outra pessoa, senão o Grande Irmão.

O livro contém poucos personagens, tendo como os mais importantes para a trama: Júlia, Smith e O’brien. Existem alguns outros secundários, para servir de exemplo de como o governo manipula as pessoas.

Em meios a esses, Júlia foi a que mais simpatizei e gostei de verdade, uma personagem marcante, de personalidade forte e interessante. Ela consegue quebrar as regras do Partido, consegue fugir da vigilância, e isso nos dá a sensação de que alguém está vencendo O Grande Irmão. Mas esse não é exatamente o seu objetivo, destrui-lo. Para ela, isso é impossível de se fazer, um governo muito bem organizado que não terá fim, só o que resta é fingir servi-lo e contradizer as leis secretamente.

Ao contrário de Júlia, conseguimos ver o desejo e o ódio que Winston tem pelo Partido, e tenta descobrir maneiras para destrui-lo. De início tem a ajuda de O’brien membro do Partido Interno, que Winston acredita que ele seja contra a tirania. Durante as páginas que afloravam, eu sentia vontade que o Partido fosse derrubado, e também o odiava, e torcia para que Winston o fizesse.

O romance contém poucos diálogos, mas os que existem são bem elaborados e o leitor não sente falta nesse aspecto. É rico em frases reflexivas que nos fazem olhar para a nossa realidade e concordar que, em parte, foi cumprida a profecia de Orwell.

Algumas coisas me incomodaram um pouco no meio da leitura, mas não posso comentar sem dar spoilers. No mais, o livro é uma fonte riquíssima que deveria ser leitura obrigatória nas escolas. A forma como George Orwell escreve esse romance é impressionante, livro cheio de características peculiares que o diferencia de outros livros do gênero, realmente um grande escritor. E sem dúvidas um dos melhores livros que li.

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1984 –  George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Lançamento: 1949
Páginas: 416

Nota: 4,5/5     4,5 estrelas

Preço mínimo: R$ 31,00 (Livraria Cultura)

 

 

Foto: Igor Pimentel

6 comentários em “Resenha: 1984, de George Orwell – Por Jack Santos

  1. Esse livro é realmente muito bom. Além dos personagens alegóricos: Grade irmão (Stalin) e Goldstein (Trotsky), o autor nos apresenta a critica aos estados totalitários na sua contemporaneidade. Quanto à escrita, Um dos livros mais bem escritos que já li. Boa a resenha! 🙂

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  2. Interessante a sua resenha, gostei bastante, Jackson! Diferente de ti, não é um dos meus gêneros favoritos, mas conseguiu despertar em mim a vontade de ler o livro. Ao ler a resenha, lembrei do filme “O show de Truman”. Se não conhece, fica aqui a sugestão. Boas leituras!

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