Mercado livreiro registra alta em 2017 pela primeira vez desde 2013

Deteriorado desde o início da crise, o mercado de livros registrou alta de 6,15% no faturamento ano passado, um acréscimo de R$ 98 milhões ante 2016. Desde que o levantamento anual deste segmento começou a ser realizado, em 2013, essa é a primeira vez que o balanço apresenta dados positivos acima da inflação no acumulado de 12 meses.

Os números são da pesquisa ‘Painel de Vendas de Livros no Brasil em 2017’, da Nielsen BookScan em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). Além do avanço em receita, o mercado também comercializou cerca de 42 milhões de exemplares em 2017, 4,55% acima do volume de vendas em relação ao visto em 2016.

“O ano de 2017 foi marcado pela regularidade do mercado. O setor está respirando, andando com as próprias pernas e vendo um crescimento sólido”, opina o gestor da Nielsen Bookscan, Ismael Borges. Os dados, provenientes do balcão de vendas das livrarias, e-commerce e varejistas de pequenas e grandes metrópoles do País, identificaram ainda que boa parte da receita do setor é comprometida devido à elevada taxa de descontos praticada pelo varejo. Ao todo, o faturamento do mercado de livro foi de R$ 1,70 bilhão em 2017 mas, se vendidos pelo preço de capa, a cifra poderia chegar a R$ 2,19 bilhões.

Com isso, o desconto médio do mercado foi de 22,09% em 2017. Dentre os 500 títulos mais vendidos no Brasil, onde muitos são lançamentos, esse valor dispara ainda mais, para 28,09%. Se o preço médio do livro foi de R$ 40,31 em 2017, no Top 500 esse valor vai a R$ 32,94. Segundo Borges, sacrificar a receita é tática das varejistas para tentar vender mais.

“Eu considero que essa elevada taxa de descontos é culpa dos dois lados dessa cadeia, mas mais por parte do varejista que da editora. Os títulos mais vendidos são coincidentemente os mais baratos e que têm maior desconto no mercado. Quanto mais o livro vende, mais barato ele é”, diz Borges.

No acumulado de 2017, todos os meses apresentaram alta no faturamento, sendo o período da Black Friday a segunda menor variação positiva – acima apenas do primeiro período da pesquisa, em janeiro. O motivo, segundo o indicador, foi justamente a agressividade dos descontos na data, que ficou em 28,08%.

“Estamos em um ambiente onde o livro se depreciou. Ele ficou 40% mais barato nos últimos dez anos. Isso foi uma estratégia dos editores para tentar ‘popularizar’ o livro, mas infelizmente isso não aconteceu”, disse o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira.

Mostra disso, o estudo ‘Retratos da Leitura do Brasil’, do Instituto Pró-Livro, identificou que 56% da população brasileira se declarava leitora em 2015 – proporção maior entre crianças de 11 a 13 anos (84%) –, mas apenas 26% havia comprado um título no período de três meses antes da pesquisa. Segundo o IBGE, o número de livrarias no País caiu de 35,5% para 27,4%, entre 1999 e 2014.

Fonte: DCI
Foto: Pixabay/mohamed_hassan

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