Thaís Laham Morello ensina um pouco sobre amor e independência no livro ‘O Búfalo Que Só Queria Ficar Abraçado’

“O búfalo que só queria ficar abraçado”, da escritora Thaís Laham Morello, de Sorocaba, é um livro para ser lido por crianças e também por adultos. Aliás, uma ótima pedida é para que pais e filhos leiam juntos. Com uma linguagem poética e acessível, a publicação fala sobre crescimento, conquista da independência e todo o amor que envolve esse processo.

A história, que ganha os traços graciosos da ilustradora Juliana Basile, fala de um bufalozinho “guloso de amor” e que só queria ficar bem juntinho da mãe. No meio da noite, lá vinha ele no quarto da mamãe para dormir abraçadinho com ela. Na hora da escola, ai que tristeza de ver a mãe partir! Doía todinho o seu coração. Foi então que a mamãe búfala teve uma ideia que ajudou e muito seu filhinho — que já estava se tornando um filhão — a se sentir amado e seguro, mesmo quando não estivessem assim: grudadinhos feito carrapatos.

Thaís, que é psicóloga, diz que esse tema da conquista da independência entre pais e filhos é um assunto muito recorrente em seu consultório e foi isso que a inspirou na hora de escrever o livro, 5º de sua carreira como escritora de literatura infantil. “Sempre estou ouvindo mães com dificuldade em se separar dos filhos na hora de dormir, na hora de ir para a escola…”, explica. Ela foi buscar referências no famoso psicanalista Winnicott para dar o desfecho de sua história. Em relação à escolha do personagem principal, a ideia foi de buscar um animal que é grande e forte (tem até chifre!), mas que por dentro também tem suas dificuldades e suas fragilidades.

Thaís destaca o convite para que o livro seja lido por adultos — pais, mães e cuidadores. “Muitas vezes a dificuldade de se separar não está na criança, mas no próprio adulto que, de alguma forma, transfere para a criança”, pontua. Ela também ressalta que crescer pode envolver alguma dor, já que o amadurecimento pressupõe sair da zona de conforto. “Sair do abraço e dos cuidados da mãe é se arriscar um pouco, enfrentar o novo. Dói porque mexe com as nossas inseguranças, mas é uma dor tolerável, uma dor possível.” A psicóloga adverte porém que esse processo de conquista de independência e criação de identidade deve ser gradual e respeitar o tempo das coisas “pois não pode expor a criança num momento que ela não tenha maturidade suficiente pra viver aquilo, porque senão vira um atropelamento, uma dor muito forte e prejudicial”.

Para ela, o crescimento do filho também está ligado ao crescimento da mãe, que passa a ter um novo papel na vida da criança.

O livro, da Carochinha Editora, pode ser comprado em livrarias do país e também pela internet (www.carochinhaeditora.com.br).

Desenhar um búfalo foi um desafio 

A ilustradora Juliana Basile, que mora em São Paulo, conta que foi um desafio desenhar o personagem principal do livro: um búfalo branco. “Rabisquei bastante até chegar no Bufalinho! Como não é um animal que vemos diariamente, o desafio é maior”, conta ela. A Juliana conta que foi buscar numa lembrança a inspiração para criar esse personagem. “Quando estava na África do Sul, vi uma família de búfalos, e um deles chegou bem pertinho do grupo de pessoas que eu estava para nos cheirar! Eu usei essa lembrança, como se este búfalo curioso fosse o personagem”.

Desde pequena a Juliana gosta de desenhar — adorava ganhar de presente canetas, tintas e papéis — e ela dá uma dica aos leitores do Cruzeirinho que desejam treinar o desenho: é preciso observar bastante “reparar nas formas, nas combinações de cores e composições que vemos diariamente, observar com carinho e reparar nos seus detalhes e contornos. Fazer da observação um exercício diário enquanto conversa, caminha e etc”.

Juliana diz que também sabe de muitas crianças que não conseguem se desgrudar da mamãe “por isso fico muito feliz em participar e quem sabe poder ajudar através das ilustrações”. Ela não lembra de quando pequena ser assim, como o pequeno búfalo, mas como tinha três irmãs, tinha dificuldade de “dividir” a mãe. “Lembro de querer ela só para mim”.

Fonte: Jornal Cruzeiro
Foto: Divulgação

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