Resenha: Mr. Mercedes, de Stephen King – Por Jack Santos

Por Jack Santos

Sinopse

Ainda é madrugada e, em uma falida cidade do Meio-Oeste, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa. Meses depois, o detetive Bill Hodges ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado. Mr. Mercedes narra uma guerra entre o bem e o mal, e o mergulho de Stephen King na mente obsessiva e psicótica desse assassino é tão arrepiante quanto inesquecível.

Mr Mercedes é o primeiro livro da trilogia Bill Hodges, escrita por Stephen King, o mestre do horror. Embora o autor não esteja acostumado a escrever livros policiais, acho que conseguiu se sair bem. Um livro bem estruturado, inteligente, cheio de tensão psicológica e com alguns pontos peculiares.

De início nos é apresentado o detetive Bill Hodges com características bem clichês: Aposentado, divorciado e com pensamentos suicidas. Apesar dessas características que estamos acostumados nos livros do gênero, o personagem vai crescendo nas páginas que se afloram, e isso me deixou bastante feliz, pois já estava imaginando como seria enfadonho ficar na mesmice.

O assassino do Mercedes é um cara extremamente inteligente e calculista, e seu objetivo nesse jogo todo é aproveitar o momento de depressão do detetive Bill para fazê-lo se suicidar, enviando cartas provocativas com mensagens grotescas e revelando que sabe tudo de sua vida. Mas para Bill isso era o que ele estava precisando, de um propósito para viver, e então começa a disputa entre os dois.

King consegue conduzir a trama com maestria e o destaque do livro é a historia ser mostrada pelo ponto de vista do detetive e assassino, mostrando as estratégias dos dois nesse jogo de gato e rato. Em casos clássicos, como Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, estamos acostumados a ficar curiosos para descobrir o assassino, e se fosse revelado antecipadamente, perderia a graça. Mas em Mr Mercedes o mistério é posto de lado e de cara já sabemos quem é o culpado, só ficamos esperando apenas o embate entre os dois.

A narrativa no ponto de vista de Bill Hodges foi um pouco enfadonha por mostrar como ele está deprimido, como ele chegou até esse ponto, os problemas de família, e isso tornou a narrativa meio lenta. Por outro lado temos a visão de Brady Hartsfield, um psicopata que mora com sua mãe alcóolatra, vive uma vida aparentemente normal em meio a sociedade. A medida que a narrativa se alternava, tinha a sensação de estar lendo dois livros diferentes.

Estar na cabeça do assassino nesse livro foi o que mais me deixou interessado em continuar a leitura. Brady de 28 anos, motorista de caminhão de sorvetes e técnico de informática, vigia de fato a vida do detetive aposentado através de seus empregos. E é justamente por ele ser um vilão comum que vive na sociedade normalmente, que me deixou horrorizado. Um cara que vende sorvetes, sorrindo para as pessoas, mas em seu pensamento, o leitor descobre a tamanha atrocidade que ele consegue articular na sua mente, imaginando como matá-las. A forma com que tudo isso remete a realidade de que nós também podemos estar de frente com pessoas assim sem nem percebermos, é assustadora.

O livro é bem redondo, sem pontas soltas, com início, meio e fim bem estruturados. O que o deixa com mais um ponto positivo, visto que não é necessário ler o livro seguinte para entendermos totalmente a primeira obra da trilogia.

As últimas páginas são eletrizantes, faz com que a leitura flua de uma maneira sensacional, deixando o leitor fissurado. Minha avaliação no Skoob foi de quatro estrelas, e o que realmente me incomodou foi a narrativa de Bill Hodges, que me fez dormir em alguns pontos do livro. No mais, um dos poucos livros policiais modernos que não me irritou com a mesmice e algumas pontas soltas que geralmente os autores deixam.

46132145.jpgMr. Mercedes – Stephen King

Editora: Suma de Letras
Lançamento: 2016
Páginas: 400

Nota: 4/5  4 lestrelas

Preço mínimo: R$ 41,61 (Livraria Cultura)

 

Foto: Divulgação

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