Resenha: Uma Incontrolável Atração, de Cris Barbosa – Por Fephs Lima

Por Fephs Lima

Sinopse:

Gabriela é funcionária do luxuoso Resort Sun & Sea, em uma paradisíaca cidade no Nordeste brasileiro. Ela vive para o trabalho e leva ia vida tranquila e estável. É uma garota tímida, de origem de uma cidade do interior. Teve uma criação bastante rígida e severa de seu pai e, com muito esforço e dedicação formou-se em hotelaria. Avessa à tietagem, jamais se imaginou em um relacionamento, mesmo que passageiro, com qualquer uma das celebridades que já se hospedaram por lá. Sam Williams é ator inglês, o mais novo queridinho de Hollywood. Após uma intensa jornada de trabalho devido ao lançamento, quase simultâneo, de dois filmes e uma série de TV, os quais ele protagoniza, resolve aceitar o convite de um amigo para passar uma temporada em um resort no Brasil. Sam nunca se envolveu com nenhuma garota que não fosse do seu meio de trabalho por acreditar que sua fama e dinheiro atrairiam pessoas interessadas em se promover através dele. Além disso, as atitudes de algumas fãs obcecadas o assustam um pouco. Mas, em uma casa noturna, os destinos se cruzam. Gabriela e Sam descobrem o poder de uma Incontrolável Atração! Um esbarrão, um olhar, aquele olhar… E tudo muda!

Uma novela mexicana!

Pela primeira vez em minha vida, eu li um livro que me remetia a um roteiro de novela mexicana e me perdoem, mas não digo isso em um bom sentido.

Uma Incontrolável Atração, da autora Cris Barbosa, me surpreendeu e lamento informar que de maneira negativa e vou tentar explicar todos os motivos que me fizeram chegar a essa conclusão.

A obra conta a história de Gabriela Oliveira, uma bela recepcionista de um resort localizado em Jericoacoara, no Ceará. A personagem morena, do corpo esbelto e do olhar marcante, por mais que fosse um resquício de clichê, não me incomodou muito, assim como o seu parceiro na obra, Sam Williams, o galã de Hollywood loiro, dos olhos azuis e corpo escultural.

Os personagens possuírem uma imagem física perfeita foi de longe a principal decepção da obra. No entanto, o fato de a personagem ser a ‘diferentona’, que trata com certo desdém famosos e odeia tietar atrair o galã da história foi início do que eu logo vi que seria um longo e tenebroso conglomerado de clichês durante todo o livro.

A simples e jovem moça vai à uma boate, acompanhada de sua colega de trabalho e melhor amiga Dandy, para aproveitar a noite. Durante a festa, ela esbarra com Sam, o ator de Hollywood da qual eu falei acima, e derrama bebida em sua camisa. Foi naquele momento que ambos se apaixonam.

Não sei quanto a vocês, mas eu consigo perfeitamente ver a cena passando no SBT, interpretados por Maite Perroni (a Lupita de Rebeldes) e William Levy (deêm um Google aí que é muito provável que já tenham visto).

Sam é amigo de Dexter, dono do resort onde Gabriela trabalha, e está no Brasil a convite do colega para aproveitar as férias longe da correria hollywoodiana. No dia seguinte, Sam se aproxima da recepcionista, já com suas segundas intenções, e encanta de vez a protagonista.

“E daí, Fephs?”

Os fatos e os acontecimentos serem clichês já são um desânimo na leitura, que deixa tudo muito previsível. Contudo, tem um fator que deixa tudo ainda mais desanimador: o tempo. Não demora muito para que os personagens principais desse romance estejam transando (a história começa na página 11 e eles começam a se amar na 25).

“Mais uma vez… E daí, Fephs?”

Oks, muita coisa pode acontecer de forma rápida e intensa, principalmente quando estamos nos tratando de emoção, mas a sequência de acontecimentos se torna muito intenso, quase como se parecesse uma tentativa (desesperada?) da autora em manter tudo muito (muito mesmo) interessante para que seu leitor não deixe de ler. Todavia, faltou equilíbrio.

Antes da página 100, nós lemos o casal transando, a massagista invejosa querendo atrapalhar o romance, discussão entre as funcionárias do resort, a massagista sendo demitida, o dono do resort tentando separar os dois por conta do namoro antigo com Gabriela, os acessos de ciúmes e os ‘ataques de pelanca’ da personagem principal, os passeios entre o casal, e, entre tudo isso, muita transa. Eu particularmente me senti sobrecarregado de acontecimentos e isso me cansou, de forma literal, fazendo com que eu demorasse mais de um mês uma leitura que deveria durar no máximo uma semana.

As cenas de amor entre os personagens são muito bem detalhadas, o que achei bem elogiável da parte da escritora, nos fazendo imaginar perfeitamente cada cena.

Além disso, notamos pequenas e sutis manias entre os personagens, como Gabriela que é sempre mega (exageradamente) emotiva e baixa a cabeça por conta de ego e não quer demonstrar fraqueza e tem um maldito cabelo teimoso na cara; Dandy que, por conta da amiga chorona, tá sempre abraçando Gabriela; e Sam que mexe no cabelo quando está irritado e tá sempre tirando o cabelo teimoso da cara da protagonista para pôr atrás da orelha. Por diversas vezes comecei a me perguntar: são os personagens ou a escritora que têm manias?

Muitas vezes podemos não notar, mas quando há esse acúmulo de manias, muitas vezes o leitor, quando dá de cara com uma cena repetida inúmeras vezes, para de ler aquela parte e simplesmente passa o olho, por já saber por dedução o que está acontecendo, e continua a leitura.

Outro ponto importante ressaltar é o fato de que, como estamos nos tratando de um ator de Hollywood, ele muito provavelmente não fala português, mas que, quando se inicia o diálogo entre ele e Gabriela, fica difícil entender se na verdade eles se comunicam em português ou inglês e mantive essa dúvida por 94 páginas, até finalmente entender que eles se comunicam em inglês, quando a personagem apresenta o novo namorado à família e explica que tem de traduzir o que ele fala.

Sam também tem o costume de chamar a sua amada de “bonitinha” durante a história, o que eu (desculpem o linguajar) achei brochante. Depois de algum tempo, após entender o idioma que falavam, percebi que, se levarmos ao pé da letra, ele na verdade a chamaria de pretty ou cute, o que me parece mais “aceitável”.

Relevando esses principais fatores, que, para mim, foram um infortúnio, devo admitir que a autora nos oferece uma leitura fácil, que, se te atrai, te faz ler de modo fluido todo o livro, até mesmo em momentos que contam com detalhes mais técnicos, como quando a obra explica de modo minuncioso a cirurgia do pai da protagonista, que foi muito bem especificado.

Para aqueles que gostam de um romance hot e acompanham com suspiros as novelas do SBT, pode ser uma boa opção de leitura. Infelizmente, essa não foi uma boa experiência para mim. Portanto, se não se importam com os fatores acima (talvez isso tudo até te atraia), boa leitura!

transferir.pngUma Incontrolável Atração – Cris Barbosa

Editora: Pandorga
Lançamento: 2017
Páginas: 256

Nota: 1/5

Preço mínimo: R$ 22,90 (Saraiva)

 

Foto/Capa: Fephs Lima
Foto/Texto: Divulgação

 

 

Um comentário em “Resenha: Uma Incontrolável Atração, de Cris Barbosa – Por Fephs Lima

  1. Existem (dezenas de) milhares de livros ruins lançados a cada ano. Gostei de seu texto, serve de alerta (ou de recomendação para quem gosta de coisas assim e não sabe o que é literatura).

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