Resenha: Iracema, de José de Alencar – Por Genice Santos

Por Genice Santos

Sinopse:

Iracema, a virgem tabajara consagrada a Tupã, apaixona-se por Martim, guerreiro branco, inimigo de seu povo. Por esse amor abandona a tribo, tornando-se sua esposa. Ao perceber, mais tarde, que Martim sente saudades de sua terra e talvez de alguma mulher, começa a sofrer. Tem o filho, Moacir, enquanto Martim está lutando em outras regiões. Quando ele volta, Iracema está prestes a morrer. A virgem dos lábios de mel tornou-se símbolo do Ceará, e seu filho, Moacir, representa o primeiro cearense, fruto da integração das duas raças.

O livro conta a história do amor proibido de Iracema e Martim. Logo no primeiro capítulo temos uma cena antecipada do final da história (característica de muitos clássicos nacionais), onde podemos, de certa forma, pressupor o fim trágico do romance.

Após esse pequeno spoiler dado pelo autor, somos apresentados aos personagens principais e ao encantador cenário no qual nossa história será desenrolada.

No centro do romance está Iracema, a bela e jovem índia, “virgem dos lábios de mel” e “mais rápida que a ema selvagem” (descrições presentes no livro), filha do pajé da tribo dos Tabajaras. A índia é também a guardiã do Segredo da Jurema. Jurema nada mais é que uma planta com a qual era preparada uma bebida com efeitos alucinógenos, a qual era dada ao pajé e aos guerreiros da tribo, que só poderia ser preparada por Iracema, a virgem consagrada a Tupã.

Num certo dia, a jovem índia ao escutar um barulho, vira-se assustada com a flecha em prontidão e dispara em direção ao causador do tal barulho que a assusta; essa tal pessoa é ninguém mais que Martim (nosso herói, ou não), um rapaz europeu que se encanta com a beleza da índia virgem.

O problema desse encontro de duas almas enamoradas é que, além de Martim ter uma noiva portuguesa e ser associado a uma tribo rival dos Tabajaras, existe uma “maldição” que envolve o Segredo da Jurema, onde aquele que tirar a virgindade da índia (a consagrada de Tupã), morrerá.

A partir desse encontro acontecerá uma série de acontecimentos que podem, ou não, resultar não somente na destruição de Martim e Iracema, como também de toda a tribo dos Tabajaras.

O livro é narrado em terceira pessoa e como todo bom e velho clássico, não é uma leitura nada fácil. José de Alencar nos leva ao típico cenário patriota do romantismo, ressaltando as riquezas e as belezas das terras brasileiras, indo ainda mais além, ao nos apresentar um pouco mais da cultura indígena através da descrição de rituais e costumes dos índios e do uso frequente de diferentes palavras utilizadas nas tribos da época. Ou seja, recomendo que ao se dar a oportunidade de conhecer a história de Iracema, o faço com um dicionário em mãos.

Confesso que o livro me irritou várias vezes, em questão das canalhices de Martim ao se aproveitar da inocência de Iracema e iludi-la várias vezes enquanto ainda pensava na noiva portuguesa. Além dos vários momentos em que uma dose exacerbada de drama domina a cena, característica típica do romantismo.

No entanto, um dos fatores que amei e ao mesmo tempo me irritou muito na história é a escrita poética utilizada pelo autor. Sim, como uma boa e velha amante da poesia, sou apaixonada em livros que possuem frases e passagens poéticas, mas tudo em excesso enjoa, não é mesmo? Ou seja, o que mais amei também me irritou algumas vezes durante o romance.

Enfim, Iracema é um dos livros mais cobrados em provas e vestibulares em todo Brasil e isso não acontece por acaso, é um romance riquíssimo não somente para a história da literatura nacional, como também para todos aqueles que estejam dispostos a darem uma oportunidade de conhecer o romance escrito por José de Alencar.

fe8414ab-4985-41f8-b6c2-c21e9ecd1e2eIracema – José de Alencar
Editora: Diversas
Lançamento: 1865
Páginas: 144 (Melhoramentos)

Nota: 4/5
⭐⭐⭐⭐

Preço mínimo: R$ 19,0 (Saraiva)

 

Foto: Divulgação

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