Além de Setembro: Confira relato depressivo de autora anônima após m~es dedicado à depressão e ansiedade

Autora anônima

Você já lutou contra sua própria mente? Sabe o que é não ter força e nem vontade de levantar da cama de manhã? Sabe o que é acordar todos os dias e sentir que sua vida não vale a pena? Que você só está ocupando espaço e sendo um peso para quem convive com você? O que fazer quando você não tem a menor vontade de viver, mas não consegue fazer as pessoas enxergarem isso sem que você saia como egoísta e mal agradecida? Mas ao mesmo tempo em que você quer que tudo acabe, você não quer morrer realmente.

Você só quer parar de sentir, só quer parar de pensar, mas é tão difícil lutar contra você mesmo. Até que chega um ponto em que você não aguenta mais. Um ponto em que você sufoca com tantos sentimentos e pensamentos ruins guardados e não consegue falar pra ninguém o que está sentindo. Então começa a machucar o próprio corpo para tentar aliviar pelo menos um pouco tudo isso.

Foi o que eu fiz comigo mesma.

Me lembro vagamente da minha infância, quando tudo o que eu mais queria era ir pra escola, mas ainda não tinha idade pra isso. Lembro de tentar entender porque aquelas crianças choravam tanto para não ir quando tudo o que eu queria era estar no lugar delas. Até que finalmente chegou minha vez, e essa foi a melhor época da minha vida. Estava sempre ansiosa pro dia seguinte chegar logo, nem dormia direito, odiava os finais de semana, porque ficar dois dias sem ir pra escola era uma tortura.

No entanto o tempo foi passando, tudo foi mudando, passei pro Estadual e o que era maravilhoso pra mim se tornou um pesadelo. Então eu me tornei aquelas crianças que eu observava na infância, chorava para não ir pra escola, passei a ter medo, por que as pessoas lá se tornaram malvadas. Sofria bullying todos os dias, passaram a me xingar sem motivos. Eu não conseguia entender o que tinha feito pra ser tratada daquela forma. E se você denuncia, coisas piores passam a acontecer com você.

Passei a me cortar e ficar cada vez mais sozinha.

Não tinha amigo e minha família não sabia o que acontecia, porque eu não queria que se preocupassem comigo. Foi quando eu passei a esconder as coisas, passei a evitar as pessoas e guardar tudo o que eu sentia. Não importava onde eu ia, em qual escola eu estudasse, parecia que todos me odiavam e me perseguiam.

Então eu comecei a me perguntar o que tinha de tão errado comigo. Passei a ver defeitos em tudo o que eu fazia, comecei a pensar que não era boa em nada, que eu era um erro. Mas com o tempo as coisas só foram piorando e, de tento pensar, acabei acreditando.

Houve um momento que eu não aguentava mais isso.

Abandonei a escola e só de pensar em voltar eu entro em pânico. Perdi completamente o rumo e a vontade de viver. Mas eu nunca tinha pensado em me matar, até o ano passado.

Com o passar do tempo eu me tornei uma marionete. Deixei que as pessoas ditassem como eu deveria viver, aceitei o que queriam e como queriam, por que eu tinha medo delas se afastaram e eu ficar sozinha novamente. Passei a ir em festas e aceitar bebidas, por que não tinha coragem de dizer o quanto odiava essas coisas. Mesmo assim, rodeada de tantas pessoas, me sentia sozinha, me sentia um alien.

De tanto esconder o que eu sentia, esconder como tudo aquilo me incomodava, comecei a me perguntar porque eu tinha que ser tão diferente, porque eu não conseguia me divertir como uma pessoa normal, porque eu nunca conseguia fazer parte de algo.
Então teve esse dia. Estava com esses amigos bebendo, eu observando eles se divertindo, enquanto meus sentimentos e minha mente me sufocavam a cada minuto, me perguntando quando eu ia parecer normal.

Eu só queria ser normal!

Eu estava tão cansada de tudo, cansada de me sentir um nada, cansada de ver todos indo pra frente, vivendo a vida deles e eu nunca conseguir sair daquele buraco. Estava cansada de ser um peso. Então a hora de ir embora chegou. Lembro de estar dentro do carro passando mal, a porta estava aberta, seria muito fácil acabar com tudo aquilo que eu estava sentindo naquele momento. Então quando tomei impulso pra me jogar pra fora, aproveitando que ninguém ia notar, quando estava quase conseguindo, alguém me segurou e puxou de volta.

Lembro de ter ficado com raiva, porque nem pra me matar eu servia. E meus pensamentos se intensificaram. Minha mente me sabotando diariamente, me dizendo o quão inútil eu era. Eu só queria que essas coisas parassem. Só queria parar de sentir.

Foi quando eu me afastei de todos.

Amigos e família. Me fechei, estava sempre me recusando sair ou falar com alguém. Então eu procurei ajuda. No início foi difícil, porque eu não conseguia sair de casa sozinha e ninguém parecia ter tempo pra me ajudar.

Mas um ano depois ainda estou batalhando diariamente pra não deixar meus pensamentos e esses sentimentos me consumir. Estou sempre tentando ocupar minha mente com livros e música, mas ainda é difícil controlar e a vontade de desistir é maior que a vontade de viver.

Eu aprendi que não dá pra lutar contra isso sozinha e pedir ajuda não é uma vergonha.

Confira outros desabafos e mensagens de apoio abaixo:

Amanda:

Anônima:

Anônima:

Anônima:

Anônima:

Anônima:

Anônima:

Caroline:

Fran:

Gaah:

Gaby:

Gus:

Jaqueline:

Jeanne:

João:

Josélia:

Katy:

Mara:

Mari:

Nathy:

Uinayara:

 

É isso aí. O suicídio não para de ocorrer só porque setembro acabou. As pessoas não deixam de se sentir desamparadas só porque um mês se foi. Saiba que esses desabafos e apoio servem para mostrar a você, leitor, que não está sozinho e não é o único nesta situação.

Este é um projeto realizado pelo Arena Literária a favor do Ano Amarelo

Foto: rebcenter-moscow/Pixabay

2 comentários em “Além de Setembro: Confira relato depressivo de autora anônima após m~es dedicado à depressão e ansiedade

  1. Nossa, sem palavras… Cada áudio é um baque forte no peito e o texto também ficou maravilhoso. Amei!
    Essa luta é gigante e parabéns pela iniciativa incrível. Da mesma maneira que tocou meu coração, assim será com todas as pessoas que passar por esse post!

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