Livros de George Saunders e Jack London são algumas das novidades da Antígona para 2019; confira

O livro de estreia do norte-americano George Saunders, uma distopia de Jack London esgotada há décadas, ou a road story ecologista O Gangue da Chave-Inglesa, de Edward Abbey, são algumas das novidades da Antígona para o primeiro semestre de 2019.

Já no próximo dia 21, chega às livrarias As Trevas e Outros Contos, colectânea de histórias do escritor Leonid Andréev (1871-1919), traduzidas directamente do russo por Nina e Filipe Guerra. Considerado o pai do expressionismo literário russo, Andréev foi um anti-czarista e um defensor dos ideais democráticos, tendo apoiado a Revolução de Fevereiro de 1917, mas as suas críticas ao poder bolchevique saído da Revolução de Outubro levaram-no ao exílio, tendo morrido precocemente na Finlândia aos 48 anos.

Além do conto que dá título ao livro, o volume da Antígona incluirá No Nevoeiro, O Governador, Judas Iscariotes e Os Fantasmas. Andréev “legou-nos uma obra monumental pautada pela indignação e pelo amor à verdade”, diz o comunicado da Antígona, que descreve o autor como “génio louco” e um ser “revoltado e místico”.

Também no dia 21 de Janeiro, será lançada a obra de estreia do escritor americano contemporâneo George Saunders, que em 2017 venceu o prémio Man Booker com o romance Lincoln no Bardo. Guerracivilândia em Mau Declínio, originalmente publicado em 1996, tem tradução de Rogério Casanova, que já em 2017 traduzira para a Antígona o segundo livro do autor, Pastoralia. Tal como este último, Guerracivilândia em Mau Declínio compõe-se de algumas histórias breves e de uma novela.

Estes contos de Saunders descrevem, num tom “desesperado” e “hilariante”, uma “América decadente, sem bóias de salvação nem redenção”, diz a Antígona, assinalando que esta edição inclui uma nota do autor sobre a génese do livro.

Em Fevereiro, a editora publicará O Tacão de Ferro (1908), de Jack London (1876-1916), uma das principais distopias do século XX, que viria a influenciar o 1984, de George Orwell, que descreveu este livro como “uma notável profecia da ascensão do fascismo”. Há muito indisponível em edição portuguesa – tinha sido editado pela Civilização em 1974 –​, o livro foi agora traduzido por Inês Dias para uma edição que inclui um prefácio do historiador e activista americano Howard Zinn (1922-2010) e um posfácio de Trotsky.

No mesmo mês sairá ainda um volume de textos de Mark Twain, escritos entre 1870 e 1908, que mostram o autor de Huckleberry Finn como um feroz e mordaz crítico da guerra, do colonialismo e do imperialismo. A colectânea, traduzida por Luís Leitão e prefaciada por Fernando Gonçalves não tem ainda título definitivo.

Uma Solidão Demasiado Ruidosa (1976), do checo Bohumil Hrabal (1914-1997), traduzido do original por Ludmila Dismanová, deverá sair a 11 de Março. O livro “conta a história do velho Hanta, que tem por ofício prensar e destruir papel, resgatando, no entanto, da hecatombe os livros a que se vai rendendo (…) – de Kant e Hegel a Camus e Lao-Tsé –, todos eles proibidos pelas autoridades”, resume a Antígona. “Ao destruir obras, por ofício, e ao resgatá-las, por amor, Hanta protagoniza a indestrutibilidade da palavra e o seu poder redentor em tempos bárbaros”, acrescenta a editora, assinalando que o próprio romance de Hrabal foi censurado no seu tempo.

Proibido de publicar durante alguns anos após a invasão soviética que pôs fim à Primavera de Praga, em 1968, Hrabal veio depois a reconciliar-se com o regime. Morreu em 1997 ao cair de uma janela do quinto andar de um hospital de Praga. Muitos acreditam que se suicidou, mas a versão oficial é a de que se tratou de um acidente quando estava a tentar alimentar pombos.

Ainda em Março, a Antígona publicará, em tradução de Júlio Henriques, A Sociedade Autofágica – Capitalismo, Desmesura e Autodestruição, do filósofo contemporâneo Anselm Jappe, especialista em Guy Debord, e prosseguirá a publicação da obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015) com Dias e Noites de Amor e de Guerra, um volume autobiográfico que mostra o quotidiano do país durante a ditadura dos anos 70. Prémio Casa de las Américas em 1978, na categoria de testemunho, o livro foi agora traduzido por Helena Pitta.

No segundo trimestre, as novidades da Antígona abrem com O Quépi e Outros Contos, da escritora francesa Colette (1873-1954), cuja vida é evocada no filme Colette, de Wash Wetsmoreland, actualmente em exibição nas salas portuguesas, com Keira Knightley no papel da romancista. O livro sairá a 22 de Abril, juntamente com Despachos (1977), do escritor, correspondente de guerra, argumentista e produtor norte-americano Michael Herr (1940-2016), que relata o período em que este cobriu a Guerra do Vietname para a revista Esquire, no final dos anos 60.

Co-argumentista de Nascido para Matar, de Stanley Kubrick, e autor da narração de Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, Herr transporta o leitor “numa viagem alucinada ao horror e à loucura dos homens em tempos cruéis”, descreve a nota da Antígona, que coloca o autor na linhagem de Orwell e Hemingway e do New Journalism de Joan Didion ou Norman Mailer.

Em Maio e Julho saem dois livros do recém-desaparecido crítico de arte, pintor, romancista e poeta britânico John Berger: Um Sétimo Homem (1975), em co-autoria com o fotógrafo suíço Jean Mohr – relato e retrato pioneiro da vida dos trabalhadores emigrantes nos países ocidentais após a Segunda Guerra Mundial – e Porquê Olhar os Animais, que “explora a degradação da relação entre o homem e a natureza na era do consumismo moderno”.

Desobedecer, do filósofo Frédéric Gros, grande especialista de Michel Foucault e curador da sua obra na colecção La Pléiade, será outro livro a sair no segundo trimestre, numa tradução de Miguel Martins. “Um apelo à democracia crítica e à resistência ética”, adianta a Antígona.

A 11 de Junho sai O Gangue da Chave-Inglesa, do polémico ecologista radical norte-americano Edward Abbey (1927-1989), com ilustrações de Robert Crumb. A tradução é de José Miguel Silva e a editora descreve o livro como “uma road story ecologista” e “uma obra-prima do anti-capitalismo”, a ser lida “ao som de Neil Young e de Sabotage, dos Beastie Boys”.

Ícone da contracultura, Abbey partiu em 1944 à descoberta do Oeste americano e foi guarda-florestal em vários parques nacionais dos Estados Unidos. Antes de morrer, em 1989, deixou como últimas palavras um bilhete a dizer “No comment” e instruções detalhadas aos seus amigos para o enterrarem ilegalmente no deserto apenas envolto num saco-cama.

O último lançamento previsto para o primeiro semestre é Clássicos Revisitados, do crítico e poeta americano Kenneth Rexroth (1905-1982), um conjunto de breves ensaios sobre 60 livros que o autor considera “documentos essenciais da história da imaginação”, do Gilgamesh ou da Ilíada a obras de Rimbaud, Mark Twain ou Laurence Sterne.

Fonte: Publico
Foto: Mary Turner/Reuters

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s